Editorial

Odontologia Aviltada
É nosso dever alertar a população que a cobertura oferecida é relativamente pequena e os profissionais da Odontologia são explorados, por serem obrigados a prestar atendimento de qualidade em troca de remuneração aviltante e algumas vezes até sem pagamento.
Ao navegar pela internet, nos deparamos com a dissertação de mestrado de nossa colega Adriana Gomes Amorim, do Rio Grande do Norte, que em 2005 elaborou um perfil dos problemas éticos vividos por cirurgiões-dentistas.
A autora analisou os principais problemas éticos vivenciados na prática odontológica pelos profissionais entrevistados e como esses colegas lidaram com essas dificuldades.
O tempo de formado dos entrevistados variou de dois meses a 30 anos, sendo a Odontologia exercida no setor privado, como consultório, plano de saúde, clínica popular e no serviço público, isto é, Prefeituras da capital e interior, PSF e instituição militar.
Os principais problemas éticos identificados nas relações de trabalho, nos serviços de saúde, foram: a submissão a condições inadequadas de trabalho, não poder encaminhar o usuário a serviço de referência especializado, número elevado de pacientes associado ao tempo reduzido de atendimento, desvalorização das ações preventivas e educativas e a concorrência profissional pelo mercado de trabalho.
Com relação ao mercado, a autora destacou as condições de competição crescente na Odontologia e a luta dos profissionais para assegurarem seu espaço. Atribuiu essa situação ao elevado número de profissionais, que na época era de 155 mil CDs, o que resulta em uma concorrência acirrada em nossa área e constitui, para a quase totalidade dos entrevistados, uma das razões mais fortes na geração dos desrespeitos éticos.
Em seu trabalho, a autora constatou o ativo crescimento da fatia de mercado correspondente às clínicas e empresas que oferecem planos e seguros de saúde bucal, observando que a maioria dos sistemas de convênio e seguros pode afetar atitudes e comportamentos éticos dos profissionais, entre outros, pelos seguintes fatores: redução do pagamento pelos serviços ao mínimo possível, criação de barreiras de acesso aos cuidados odontológicos, regulando a quantidade e o tipo de serviço oferecido, inclusão entre seus credenciados somente dos profissionais que aceitam seus controles e tabelas, além de incentivo à quantidade e não qualidade.
Concluiu a cirurgiã-dentista Adriana Gomes Amorim que o maior receio dos profissionais é perder o emprego e não obter uma nova colocação no mercado de trabalho, o que faz com que muitos se submetam a qualquer situação para continuarem trabalhando, mesmo reconhecendo que existe a necessidade de exigir melhores condições de trabalho. Destaca que há muitos CDs disponíveis e as necessidades da população são enormes, mas os profissionais encontram-se mal distribuídos e o atendimento odontológico não está acessível a todos.
Como se observa, as conclusões alcançadas pela colega em seu trabalho de mestrado, por retratarem a realidade, coincidem com o que temos manifestado nos nossos editoriais.
Porém, a continuação de nossa viagem pela Grande Rede nos permitiu constatar que as empresas que vendem planos odontológicos estão cada vez mais ansiosas por captar para si mais "vidas", que é a forma como denominam seus segurados.
Para que se tenha idéia, uma dessas "empresas odontológicas", em apenas três meses de existência, conquistou um milhão de segurados e tem faturamento previsto de 160 milhões para 2008, o que leva a perguntar: qual o percentual desse montante que irá ser recebido pelos profissionais que efetivamente atendem os pacientes?
Na prática, para aumentar as vendas, empresas que antes vendiam planos por 15 reais, agora vendem por 13 ou 10.
Como conseqüência, a maioria cobre apenas o rol mínimo de procedimentos da ANS. Assistimos serem diminuídos cada vez mais os valores pagos aos CDs, o desrespeito aos contratos que pregam o reajuste anual e agora não serem mais pagas as consultas.
É nosso dever alertar a população que a cobertura oferecida
é relativamente pequena e os profissionais da Odontologia são
explorados, por serem obrigados a prestar atendimento de qualidade em troca
de remuneração aviltante e algumas vezes até sem pagamento. Afonso Fernandes Rocha
Estamos com um plano de ação em desenvolvimento, que logo será
conhecido pela categoria.
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Da Odontologia à
Medicina Oral - 125 anos - Setembro
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Odontológica - Tempo de Mudanças - Março
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