Editorial

Novembro / 2009
ÉTICA

De forma serena e sempre pautado na lei, o CRO-RJ jamais deixou de cumprir a sua obrigação de zelar pelo prestígio e bom conceito da odontologia e daqueles que a exercem legalmente.

O jornal Folha de São Paulo, na edição de 4 de outubro, dedicou dez folhas do caderno mais! ao retrato da ética no Brasil.

Foi realizada pesquisa através de questionário com 39 perguntas sobre diversos ilícitos, como falsificar documentos, de modo geral; comprar diplomas; colar em provas ou concursos; ultrapassar o sinal vermelho; comprar produtos piratas, como DVDs, CDs ou programas de computador. Após cada pergunta, os pesquisados encontravam a seguinte pergunta: Na sua opinião é algo moralmente aceitável, é moralmente errado ou não é uma questão moral ?

Dos entrevistados, 83% reconheceram ter cometido algumas irregularidades.
A pesquisa mostra que 31% dos entrevistados colaram em provas ou concursos; 27% receberam troco a mais e não devolveram; 26% admitiram passar o sinal vermelho; 14% assumiram parar o carro em fila dupla.

Apesar disso, 74% dizem que sempre respeitam as leis, mesmo se perderem oportunidades, e 56% afirmam que a maioria tentaria tirar proveito de si, caso tivesse chance.

A pesquisa verificou que a desconfiança generalizada em relação a outras pessoas contrasta com o elevado padrão moral assumido individualmente pelos brasileiros. Há assimetria entre autoavaliação ética e moral e expectativa de comportamento dos outros.

No dia a dia assistimos demonstrações de comportamento que confirmam o resultado da pesquisa acima, como por exemplo, o motorista de um carro parado no trânsito que abaixa o vidro da sua porta, coloca o braço para fora e põe a mão fechada junto à porta durante algum tempo para depois a abrir, deixando que caia no asfalto uma pequena embalagem ou papel amassado. Logo após, fecha rapidamente o vidro e continua usufruindo o ar refrigerado.

Quem se comporta desse modo tem tanta consciência que é reprovável jogar lixo na rua, que usa a dissimulação. Faz de conta que o papel "caiu" da sua mão.

Na odontologia, alguns cirurgiões-dentistas se utilizam de propaganda irregular na ilusão de alcançar com mais facilidade os pacientes.

Enquanto a quase totalidade cumpre o Código de Ética, alguns (sempre os mesmos), são de opinião de que a ética depende da ótica e na certeza de que ao final não vai dar em nada, se recusam a cumprir as normas que disciplinam o anúncio a propaganda e a publicidade odontológica.

O descaramento chega ao ponto de após a tramitação do processo disciplinar, com a condenação, recorrerem à justiça, utilizando todos os recursos jurídicos disponíveis, com a finalidade de retardar a solução final e ainda, divulgar mais propaganda anti-ética.

Esse comportamento faz com que a Comissão de Ética fique sobrecarregada, pois há situações em que o mesmo profissional possui diversos recursos judiciais, o que na prática adia o efeito das condenações dos processos éticos até que o término das ações judiciais torne possível a execução da pena imposta.

Devido aos fatos acima e como todos os processos éticos devem obrigatoriamente transcorrer em sigilo, há quem pense que o Conselho não toma as providências necessárias, uma vez que há profissionais que permanecem fazendo propaganda nitidamente anti-ética.

Porém, de forma serena e sempre pautado na lei, o CRO-RJ jamais deixou de cumprir a sua obrigação de zelar pelo prestígio e bom conceito da odontologia e daqueles que a exercem legalmente.

Essa é a razão de algumas vezes o CRO-Notícias publicar condenação pública imposta a colega há algum tempo, ou seja, com aparente demora da execução da pena, o que ocorre devido a ardilosas manobras utilizadas durante os processos judiciais.

Afonso Fernandes Rocha
Presidente


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